Culturas Híbridas (2010)

Culturas Híbridas: Produções Artísticas no Limite da Tecnologia ou a Procura de um Novo Significado para o Ser Humano

 RESUMO

 

As fantasias pós-humanas têm ganho considerável influência na produção artística das últimas décadas (não só ao nível das artes visuais, mas também no cinema, como p. ex. o filme Crash de David Cronenberg). Neste seguimento, a discussão recorrente destes acontecimentos terá gerado, via ciências humanas, uma maior atenção às discussões latentes entre os limites dessas fantasias, isto é, entre a dicotomia do homem (animal) e das máquinas (o cyborg) sobre a qual, por exemplo, Baudrillard escreveu na relação promíscua entre os corpos e a tecnologia – uma clara ênfase do techno-body, ou seja, um corpo pensado como um objecto.

Por outro lado, dado que o estético deixou de estar circunscrito à noção de Belo, pressupondo, o abandono da ideia de bem e de verdadeiro no seio da arte. Este súbito interesse pelo grotesco, pelo insólito, por quadros do quotidiano mais banal ou, por outro lado, pela vertente mais disfórica da vida pós-humana, não se assemelha como algo totalmente alheio às nossas discussões. É no início do séc. XVIII que a palavra prótese ganha o seu significado actual, isto é, de um membro artificial do corpo humano. O termo deriva do Grego ‘prothesis‘ (‘adição’), de ‘prostithenai‘ (‘adir em’) que, por sua vez, é uma composição de ‘pros‘ (‘diante de’ ou ‘na frente de’) e ‘thithenai‘ (‘colocar’). Assim, seria usado com o sentido de uma adição e, especialmente com base na etimologia da palavra prótese, conseguimos antever o papel que ela ocupa na obra de artistas contemporâneos como o caso paradigmático de Stelarc.

O uso da tecnologia na sua obra revela o carácter explícito do uso da técnica nas artes visuais. A prótese é exposta como um ponto de ligação entre a técnica e o corpo biológico, entre os circuitos eléctricos e a carne. A prótese, tal como a linguagem, estende e magnifica as possibilidades do ser humano. Assim, as acções de Stelarc, isto é, o papel do seu corpo nas performances que executa em simultâneo com os aparatos artificiais e tecnológicos acrescentados ao seu corpo (sejam braços mecânicos, plataformas com seis pernas, orelhas com transmissores), representam a tentativa de estabelecer uma nova linguagem.

O anexo técnico que Stelarc acopla ao seu corpo natural é – quer seja em ‘Third Hand‘, ‘Extended Arm‘, ‘Six-Legged Walking Robot‘, ‘Prosthetic Head‘ e em ‘Extra Ear‘, entre muitos outros –, uma tentativa válida de representar a forma como se intenta definir esta nova humanidade (constantemente modificada pelo uso das novas tecnologias). Por conseguinte, a obra de Stelarc permitir-nos-á abordar a questão da evolução humana como uma das preocupações centrais de autores contemporâneos onde a prótese é a ferramenta encontrada para reconfigurar o corpo, permitindo a entrada num ‘feedback loop’ entre si próprios e a tecnologia. O corpo cyborg será representado como uma multiplicidade de corpos onde a pele não representa qualquer barreira ao Outro.

 

PALAVRAS-CHAVE

 

Artes visuais, Prótese, Cyborg, Tecnologia, Ser Humano

 

 

BIBLIOGRAFIA

 

 

ARTHUR C. DANTO, After the End of Art: Contemporary Art and The End of Pale History, Princeton, Princeton University Press: 1997

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JOANNA ZYLINSKA (ed.), The Cyborg Experiments: The Extensions of The Body in Media Age, London, Continuum: 2002

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MARQUARD SMITH e JOANNE MORRA (ed.), The Prosthetic Impulse: From a Posthuman Present to a Biocultural Future, Massachusetts, MIT Press: 2006

N. KATHERINE HAYLES, How we Became Post Human: Virtual in Cibernetics, Literature, and Informatics, Chicago, The University of Chicago Press: 1999

PAUL VIRILIO, Art and Fear (Trad. Julie Rose), London: Continuum: 2003

O artigo completo será colocado em breve



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